Realização: Igreja Batista Constantinópolis
Nossa idade: tudo tem um tempo determinado

Nossa idade: tudo tem um tempo determinado

Há cerca de um ano, percebi que havia uma estranha saliência no meu dedo anelar. “O que é isso?”, perguntei-me. Aquilo estava me incomodando e eu tentei mexer para descobrir o que era. Depois, em uma conferência que eu estava frequentando, falei com um reumatologista: “O que é essa estranha saliência no meu dedo?” — indaguei.

Ele encostou a mão para sentir o que era e disse: “É um nódulo de Heberden. Faz parte do envelhecimento; é só um esporão calcificado da cartilagem da junta”.

“Ah, faz parte do envelhecimento…” Isso deveria me fazer sentir-me melhor? A intenção era me fazer sentir melhor?

A verdade sobre nossa condição é que todos nós estamos envelhecendo — mesmo que você ainda não tenha sido agraciada com alguma saliência estranha. Mas não estamos apenas envelhecendo. Estamos avançando rumo a uma eternidade que terá início com uma transformação que só podemos imaginar como será.

Durante a minha pesquisa para um dos capítulos de Mulheres ajudando mulheres, deparei-me com a seguinte declaração impressionante: “Estou escrevendo este livro por uma razão intensamente pessoal. Tenho uma doença terminal. Você está convidado a ler pelo mesmo motivo. Você também tem uma doença terminal… A vida é sempre fatal”[i].2 Você costuma refletir sobre essa verdade? Você tem consciência de que sua vida vai se acabar e que há um dia que se aproxima com uma velocidade cada vez maior em que tudo o que você conhece será transformado? Todas as ilusões serão removidas; todas as falsidades serão expostas; e a verdade se tornará visível.

Se você for como eu, é fácil esquecer essas verdades — até que algo acontece para nos lembrar. Minha memória não funciona, meus filhos estão completando trinta anos ou eu recebo notícias indesejadas de que meu pai ou minha mãe está doente, fazendo com que a realidade da vida, que estava um pouco de lado na minha consciência, volte a receber o foco da minha atenção. A vida nem sempre será o que é hoje. Eu sou finita, sou frágil e sou dependente.

Você já parou para refletir sobre a imprudência dos jovens? Eu olho para os jovens do meu bairro andando de skate e fico perplexa; eles são jovens e se consideram invencíveis. Eles não sentem a dor e a rigidez que fazem parte das minhas manhãs, e os fatos sobre o futuro são tão irreais para eles quanto a ideia de que haverá um dia em que andar de skate deixará de encantá-los. Eles assumem riscos tolos porque não conhecem a verdade que meu pequeno nódulo de Heberden me ensinou: a vida é curta, a vida é preciosa e eu sou vulnerável.

Deixe uma resposta

Fechar Menu
×
×

Carrinho